c Trambolhão

quarta-feira, outubro 19, 2011

O Adeus
Quando partiste levavas contigo uma mala pequena e vermelha.
Um pequeno fruto do bosque transportado pelas tuas delicadas mãos.
Lá dentro a colmeia de formigas negras ruminava os teus pensamentos,
Ansiosas, eléctricas, percorriam as letras das cartas dobradas em quatro,
Onde dobradas estavam as dores, as dores lânguidas da saudade.
Detentora dos mais pequenos segredos,
E do maior amor,
A mala era ainda mais pesada do que o teu próprio corpo.
Carregava-la com esforço, corcunda, quase que a mergulhar no teu reflexo no chão,
E sorrias quando algum outro homem se oferecia para te ajudar.
Dizias com graça, que era um esforço de vida,
Trazer aquelas cartas,
Repletas da tentativa, do erro, do fracasso; da tentativa, do erro, do fracasso,
Mas onde o amor d’Ele sobrava e sobrevivia às marés e às monções.
Era insistente, persistente, contínuo, abafado,
Repetia baixinho o teu nome quando dormias,
E como que bêbeda, trôpega nos teus passos,
Acompanhada pelo olhar do gato preto na janela,
Eras atraída à leitura nocturna,
Mas uma vez lidas, não as poderias guardar,
Pois as cartas d’Ele incendiavam-se ao serem lidas.

1 Comments:

At 5:49 da tarde, novembro 23, 2011, Anonymous Anónimo said...

muito bonito

 

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