c Trambolhão: O meu blog está a morrer

quarta-feira, junho 25, 2008

O meu blog está a morrer



O meu blog está a morrer, é verdade, eu sei, já o tinha pressentido há uns meses.



Vou tentar ressuscitá-lo com a arte da rega, todos os dias, mesmo que seja só com parvoíces que não interessam a ninguém.

Pois bem, vou tentar deixar de ser egoísta e vou escrever aqui umas frases soltas mais frequentemente. Acontece que o tédio se voltou a apoderar da minha secretária e com trinta graus lá fora, só me apetece dormir. Ou então, esmagar formigas com a tampa da minha caneta bic. Mas como o repelente de formigas aqui do escritório é muito forte e a senhora da limpeza dá cabo da vida de qualquer ser vivo tirando a nossa e tirando a do meu pinheiro verde que está a crescer em cima do meu armário, não há formiga que aguente isto.

Qualquer dia vou enterrar o meu pinheiro na selva urbana, esmago as raízes numa terra qualquer sem dono e liberto-o desta rotina diária a que o pobre se sujeita. Um dia de manhã, enfiaram-mo na mão quando ia a correr desesperada para apanhar o grande automóvel amarelo. Diz que foi um jornal gratuito, diz que sim. Mas eu não digo o nome, porque não sou cá de fazer publicidade a ninguém, pois não sou. E ele tem sobrevivido, uns dias mais verde, outros dias mais amarelo, mas pelas minhas contas já cresceu 5 mm. Às vezes sorve a água toda no fim-de-semana, é um lambão, mas segunda-feira eu tomo conta dele e impeço-o de largar uns ramos indesejáveis pela minha secretária. É fiel, raramente se queixa a alguém, mas tenho de falar mais com ele. Dizem que as plantas reagem aos estímulos humanos, todos os dias vou passar a dizer-lhe bom dia. Aconselho, se acham que os animais dão muito trabalho, arranjem um pinheiro, opção natural, gratuito e muito mansinho.

Tirando a amostra de pinheiro resiliente, posso sempre olhar pela janela e espreitar a liberdade do vento lá fora. E escrever parvoíces aqui no blog. Posso sempre tentar falar pelo telefone, mas é complicado, não se ouve bem. Emails é mais rápido. A comunicação do futuro. Onde imagino que as pessoas vão viver cada vez mais apertadas. Em casas mais pequenas. Como formigas, sim. Mas não há repelentes para estas formigas. São formigas sobreviventes. E a senhora da limpeza não dá cabo destas. Têm armaduras de aço e asas para voar.

3 Comments:

At 3:47 da tarde, junho 25, 2008, Anonymous Anónimo said...

Boa malha.
Não gostei foi muito da parte final. Parece ser a despchar?

 
At 10:46 da tarde, junho 25, 2008, Blogger Orlando Nascimento said...

Assassina! Então andas a esmagar as coitadas das formigas com bics?!
Pois, o Trambolhão ficou paralisado como os camionistas... tá mal!
Onde ponho o meu nome no abaixo-assinado para continuares a dar-lhe continuidade (grande frase...) e deixares cair as tuas palavras aos trambolhões?
Bjo

 
At 2:02 da manhã, junho 26, 2008, Blogger emot said...

Doida! Volta! Estás perdoada!

 

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