c Trambolhão: Março 2008

quinta-feira, março 27, 2008

Porque eu penso que um bocadinho de publicidade nunca fez mal a ninguém

Investigar má conduta de empregados - Supermercados Lidl espiaram funcionários

A direcção da cadeia de supermercados alemã Lidl contratou, no ano passado, uma equipa de detectives para espiar as condutas dos seus funcionários, com o objectivo de analisar os seus comportamentos. O facto não passou em branco, tendo sido noticiado pelo jornal “El País” e desenvolvido em reportagem pela publicação alemã “Stern”.

O comportamento da cadeia de supermercados, que tem filiais em vários países, incluindo Portugal, foi comparado com a antiga polícia política da Alemanha de leste, a Stasi, que espiava os cidadãos alemães.

Ao que se sabe, as investigações decorreram apenas na Alemanha. “A senhorita T. está a falar ao telefone com um amigo. A conversa trata sobre um possível jantar juntos. Ela diz que estão muitos clientes na loja e promete que sairá exactamente quando termina o seu turno. E assim o faz, às 15h”, é possível ler num dos documentos enviados à direcção do Lidl.

Os detectives privados, contratados pela empresa, chegaram, a instalar perto de dez microcâmaras para controlar os funcionários. O director do estabelecimento justificou a medida, explicando aos trabalhadores que o sistema de vigilância servia para evitar roubos.

O problema é que a informação recolhida revelava aspectos da vida privada dos trabalhadores, incluindo pormenores das suas relações amorosas e indicações da direcção para que alguns funcionários cobrissem as tatuagens ao atender clientes idosos. Até detalhes da personalidade de certos empregados foram referidos – “É extrovertida e de aspecto ingénuo”.

Sobre a contratação de detectives, a porta-voz da cadeia, Petra Tabert, afirmou que o Lidl não tem como objectivo “espiar os funcionários mas sim detectar comportamentos errados”. Já o responsável alemão pela Protecção de Dados, Peter Schaeer, disse que vigiar actos relacionados com a intimidade dos empregados pode levar a uma infracção da “Lei de Dados”.