c Trambolhão: Julho 2007

terça-feira, julho 17, 2007

O Pavão

Tinhas a mania.
Eras um pavão em crescendo.
Passavas na rua com um sorriso idiota na cara.
Chamavas-te a ti próprio idiota.
Quando alguem te cumprimentava entendias uma mão e dizias obrigado.
Porque esse alguém tinha superado a tua idiotice e atingido o lado humano.
Havia dias mais vulneráveis, em que deixavas escapar um tenho pena.
Pena de viver sozinho.
Eras tão solitário como as canas de bambu.
Crescias em arrogância sem ter medo das alturas.
Mas deixavas o corpo bambolear ao sabor dos olhares alheios.
Eras herói imaginário de contos infantis.
Mas esquecias que nestes o herói usava o coração para vencer.
Achavas que podias vencer tudo sem esboçar a mínima careta de esforço.
Não olhavas a meios.
Tudo podia ser teu.
Desde que se mantivesse dentro de mealheiros.
Um dia deste um murro no porquinho de barro.
Saltaram moedas em todas as direcções.
Rolaram para a rua.
Deixaste de ser o Idiota.
Tornaste-te o Benfeitor.
Amado por todos.
Mas no teu íntimo continuavas a assinar, Idiota Benfeitor.
De vez em quando dá prazer ser mau e arrogante.
Dá um prazer dos diabos, irra!

Nouvelle Vague - In a Manner of Speaking

In a manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing
In a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that i feel about you
Is beyond words
Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Oh give me the words
Give me the words
That tell me everything
In a manner of speaking
Semantics won't do
In this life that we live we only make do
And the way that we feel
Might have to be sacrificed
So in a manner of speaking
I just want to say
That just like you I should find a way
To tell you everything
By saying nothing.
Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Oh give me the words
Give me the words
That tell me everything
Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Oh give me the words
Give me the words
That tell me everything

quarta-feira, julho 11, 2007

Bati, mas sem força.
Ninguém ouviu.
Uma vez mais, agora convicta.
Abriram.
6 pares de olhos controlavam a minha respiração.
Tremia de cansaço, ou de imaginação a minha perna direita.
Ergui os punhos.
E apontei para a moldura.
Alguém derrubou a jarra e espalhou a água sobre os papéis de carta rasgados à pressa.
Era tarde demais.

domingo, julho 08, 2007

Entrar ou não entrar.
A porta estava meio fechada. Via-se sofás cremes do outro lado.
As gotas de água caiam do tecto no corredor.
Entrar ou não entrar.
Os acordes de um violino deixavam escapar notas separadas.
Ouviam-se passos em surdina.
Rasgavam-se papéis.
Entrar ou não entrar.
A jarra de flores vermelhas deixava escapar perfumes exóticos.
Não existia campainha, só uma mão de ferro.
Bater com força exige coragem.

segunda-feira, julho 02, 2007

A bailarina frágil com pés de seda,
Desliza com carinho e
Voa de mansinho.
Apaga traços de sal em faces duras,
E embraça tal graciosidade,
Que nunca mais as lágrimas do adeus tornaram o espectáculo cego.
Que nunca mais o pano de boca caiu para o teu colo.
Pois a dança eterna se transforma,
Se nos imaginarmos sempre bailarinos nela.